Wednesday, January 13, 2016

República Dominicana


Praia de Samana, norte da República Dominicana.

Hoje eu estava me lembrando dessa viagem que fiz à República Dominicana.
Eu acho engraçado que normalmente falo pras pessoas que sou uma falsa-brasileira. Não gosto de muita coisa daqui, não gosto de músicas brasileiras, não conheço programas de tv daqui - nem atores e apresentadores, nada. E todas as vezes que eu começo a falar com alguém de outro país, sempre vem essa cara de dúvida e desconfiança na pessoa que está falando comigo. "Como assim você NUNCA assistiu a um desfile de carnaval??", ou "você não conhece Michel Teló???". Não pra nenhuma das duas perguntas. Aliás, Michel Teló eu conheço agora, fizeram o favor de tocar músicas dele AO VIVO num ferry que eu peguei no México. Eu doida pra ouvir música caribenha e fiquei um tempão ouvindo aquilo. E as colegas de viagem:
- Olhaaaaaaa!!! Tão tocando Michel Teló, que legal!!!!
E eu:
- Argh, não... toca salsa!!!!
Quando estive na República Dominicana, conheci a família do meu amigo que me acompanhou na viagem. Todos dominicanos. Me receberam de braços abertos, todo mundo feliz por ter uma brasileira em casa. A irmã mais nova falava um pouquinho de português que estava aprendendo por pura curiosidade, e ficava falando comigo o tempo todo.
- Eu sei fazer quadradinho de oito!!!!
E eu:
- Sabe o que?
- Ah, tô falando errado? Quadradinho de oito, assim...
E se pendurou de ponta cabeça na minha frente. Gente, que era aquilo? Eu achando que a menina ia cair.
- Não é assim? Acho que estou fazendo errado.
Eu nem sabia o que era aquilo. Daí falei que não conhecia, foi quando o irmão - meu amigo - interveio e explicou:
- Ela é uma brasileira falsa.
A cara de decepção da menina eu nunca vou esquecer. Não só dela, mas da família inteira. Como assim eu não conhecia nenhum funk pra cantar com elas? Chegaram a colocar no youtube um video pra eu saber que música elas estavam cantando. E ainda assim eu não conhecia, só passei a entender o que elas tavam falando - porque a mais nova queria saber o que significava "eu vou dar". Meu... lá tô eu na frente do pai delas tentando explicar a pornografia das letras. Elas não me deixaram constrangida em nenhum minuto, lógico que imaginavam que era algo indecente. E o pai delas ria o tempo todo, talvez por perceber minha má condição de brasileira.
A partir daí veio uma enxurrada de perguntas: se eu ia ao carnaval, se eu dançava como todas as brasileiras aparentemente dançam, se eu conhecia músicas de axé pra indicar, se eu passeava pelo meu país todo, porque pode ser um país grande, mas brasileiro é tudo amigo que oferece a casa e tudo aqui é barato, se eu gostava das novelas que - sim - passavam até lá. Nem o nome da novela que elas tavam seguindo eu lembro. E eu só respondia:
- Hum, não... ESSA eu não conheço...
Quando fui embora, no final da tarde, senti que eles estavam um pouco desapontados com a minha falta de nacionalidade. A irmã mais nova principalmente, que provavelmente achou que aprenderia uns passos novos de funk pra mostrar às amigas.

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