Friday, January 08, 2016

2016

Bom, essa é de hoje! Original! Recém escrita!!

Meu primo me perguntou desse blog outro dia: quando comecei a escrever aqui, a idéia era postar coisas engraçadas e boas do meu dia-a-dia. Acabou ficando chato e cansativo, cheio de posts depressivos, nada do que eu estava imaginando quando comecei. Então eu dei uma parada, não escrevi mais, e agora gostaria de tentar de novo... Vou tentar postar aqui coisas interessantes do meu dia, das coisas que eu vejo e sinto. Ou como. Hahahaha! Mas se cair de novo em desânimo, paro de escrever e arquivo o blog (tô falando isso pra mim mesma: é um aviso, Ingrid).
Bom, estamos já em 2016. Eu continuo trabalhando em Guarulhos (oooohhh), continuo na mesma casa, com o mesmo carro, as mesmas cachorrinhas, morando com o mesmo ex-marido (só tive um mesmo).
Esse ano eu ainda não fiz nenhuma viagem, mas já tenho 5 passagens compradas (:D) pra daqui a junho: Foz do Iguaçu, Bolivia, Portugal, Colombia e Hong Kong. O interessante (que muita gente não sabe) é que o valor todo de todas essas passagens aí foi de 3.620,00. Para TODAS AS PASSAGENS. Tá certo que ainda falta hotel, comidas e passeios, mas quando as pessoas veem que eu viajo demais, imaginam que eu ganho milhões de reais e gasto mais uns milhares em todas essas viagens. A verdade é que eu aproveito sim muitas promoções de passagens (e bugs de sites) para comprar passagens a preços muito bons. Daí fica menos difícil e menos caro pra viajar. Sabendo pegar hotel mais em conta e levando dinheiro só para transporte e comida, não se gasta tanto assim. Fica mais barato do que uma única viagem pela Europa em alta estação. Bom, essas viagens programadas pra 2016. Fora essas, ainda planejo voltar a Tailândia em novembro com uns amigos. E talvez seja só isso para 2016. Mas em se tratando de mim, nem eu mesma sei o que mais vai aparecer de oportunidade pra viajar. Tipo a Bulgária ano passado, veio de surpresa, não gastei quase nada, e foi ótimo.
Viajar é algo que eu tenho no sangue. Acho que já nasci com vontades de sair viajando o mundo todo. Lembro que com 13 anos eu arrumei a mala pra ir pra Italia; de alguma forma eu tinha certeza de que, ao ver a mala pronta em cima da cama, minha mãe diria "sim" e de repente eu estaria em um avião partindo pra Roma. Não sei o que se passava na minha cabeça, eu era criança com 13 anos. Hoje em dia as meninas de 13 namoram, eu não. Eu era moleca de tudo. Então acho que eu pensava que bastava estar com a mala pronta e pronto. Bom, mala não, né. Era uma daquelas sacolas de viagem verde, enorme. Sei que quando minha mãe viu a bolsa arrumada em cima da minha beliche, deu um berro:
- Pode guardar tudo isso aí!!! Quero ver uma blusa amarrotada que você vai se arrepender de ter nascido!
Aí guardei tudo e a viagem pra Italia não vingou.
Depois disso teve um lance de ir embora pra Palmas (o Tocantins acabava de ser criado),e eu, de novo, por alguma razão, achava que poderia ir embora pra lá. Não cheguei a arrumar a tal bolsa verde, mas sei que essa viagem também não vingou.
Aí eu cresci. Cresci e me apaixonei. Por Paris. Via fotos de Paris em tudo que era canto, quase chorava. Era igual ver foto do Eddie Vedder: bastava olhar pro coração pular até a boca, as lágrimas aflorarem nos olhos, o berreiro começar: "eu queroooooo!" (sim, eu chorava quando via clipes do Pearl Jam). Uma vez a revista Viagem e Turismo (minha primeira assinatura de revista, seguida pela SET - de cinema), postou um concurso onde a gente deveria escrever uma redação falando da viagem dos nossos sonhos, e a melhor redação levaria de prêmio uma viagem pro lugar escolhido. Olha... foi um desespero. Escrevi um conto lindinho sobre eu em Paris, linda como uma princesa, passeando de charrete pela Champs Elisèes, usando um vestido azul de Cinderela, comendo croissant e bebendo café francês. De novo não vingou. Uma doida carioca levou o primeiro prêmio com um conto ridículo sobre Portugal.
Quando fiz o concurso da Infraero, já com meus mais de 20 anos, coloquei a escolha de localidade para Bauru (porque não tinha Campinas nem São Paulo) e quando recebi a confirmação da prova, o telegrama (lembra disso?) veio com o endereço da prova: Barra do Garças, Mato Grosso. Nossa, que felicidade!!! Eu iria viajar pro Mato Grosso pra fazer uma prova!!! Minha mãe ficou brava, onde já se viu marcar uma prova tão longe... Mas eu não estava nem aí, iria viajar!!! Depois, dali uns dias, recebi um telegrama dizendo que haviam se equivocado e que minha prova seria em Bauru mesmo. A viagem ao Mato Grosso também não vingou. (Mas a de Bauru foi um arraso!)
No curso da Infraero eu acabei indo visitar Brasília pela primeira vez na minha vida. Adorei a cidade desde a primeira vez que coloquei os pés lá. Aí eu conheci o César, e ele era de Teresina, e a partir daí eu sabia que pelo menos pra Teresina eu viajaria todo ano, pra mor de visitar a família dele. O que foi verdade, durante uns bons anos (8, pra ser mais exata) as minhas férias eram Teresina e algum outro lugar por perto, como foi Fortaleza, São Luis, Natal e Parnaíba.
E então, depois de tanto tempo, um convite: ir a Maastricht para uma feira de tráfego aéreo.

Maastricht via Paris.

Via PARIS.

Iuhhuuuuu! Aí vingou! É tetra!!! É tetraaa!!!
Eu EMAGRECI 20 QUILOS pra essa viagem. 20!! (tá certo que ganhei 23 depois, mas esquece...)
E então, falando um pouquinho de francês latino americano, lá fui eu pra cidade-linda-luz-maravilhosa. Paris foi tudo o que eu estava esperando e mais um pouco. Eu falei francês, comprei baguete sem higiene (nem saquinho) no mercadinho, comprei vinho, comi crepe, subi na torre Eiffel, entrei no Louvre e xinguei a Monalisa (po, andamos a manhã toda pra ver aquele tiquinho de quadro)... Não me vesti como a Cinderela (tava um frio gostoso da porra), não estava linda como uma princesa (mas estava magra), não andei de charrete pela Champs Elisèes (mas tive piriri e usei um banheiro público lá), não comi croissant (mas bebi o café francês). Mas foi perfeito. Foi a viagem mais gostosa que eu fiz, foi o descobrimento. Foi ver que francês não é tudo mal educado como se reza a lenda aqui, foi ver que eles falam e aceitam sim o inglês, foi ver que vinho é sim cultura em outros países, foi comer raclete com pepininhos em conserva e achar maravilhoso... foi experimentar o novo de uma forma muito boa.
E a partir daí, várias ouyras viagens vingaram. A partir dessa primeira, eu vi que não é impossível viajar com pouco dinheiro. Vi que eu não preciso ter uma baita reserva em dólares, nem que eu preciso comprar tudo o que eu vejo nas viagens só porque meus amigos compram. A viagem é para ser vivida ali na hora. É para andar, fotografar tudo. Comer tudo diferente e aprender os novos sabores. Conversar com os locais, nem que seja tendo aula de francês com o porteiro do hotel. As lembranças dessa viagem estão mais claras na minha mente do que o perfume que eu comprei na Champs Elisées (que na verdade, só agora eu lembrei dele, quando me forcei a lembrar de alguma coisa material que eu trouxe pra mim dessa viagem específica). É sério: lembro perfeitamente do rosto do garçom que atendeu a gente no dia da raclete, lembro do ônibus que tomamos para ir ao Le Bourget, lembro do frio que senti à noite no topo da torre Eiffel. Das coisas que comprei? Não lembro... Viver A viagem. É minha melhor regra.

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