Wednesday, April 08, 2020

Gelo no uísque

Bom, primeiro que quem inventou de colocar gelo no uísque nem é muito gente. É uma mistura de boitatá e Cuca. Foi uma idéia de jerico que pegou e se alastrou que nem a peste bubônica e o povo acha que é bão. Nem adianta reclamar e bater o pé: uísque (ou whiskey, ou whisky) é pra beber aos poucos, saboreando bem o malte, e dessa forma a porcaria do gelo vai derretendo e vai contaminando a bebida. No final eh uma água gelada com um fundinho alcoólico quase imperceptível.
O boitatá que tá lendo isso aqui e se contorcendo: pó se contorcê à vontade aí, menino, uísque se bebe puro.

Postado no facebook dia 24/11/19.

A história da mãe d’ouro

Eu adorava as histórias da minha avó.
Essa eu vou contar mais ou menos como me lembro, porque eu era bem pequena quando ela me contou.
Ela contava que se casou pelos anos 30, e foi morar em uma fazenda com meu avô. Eles trabalhavam na plantação da fazenda em troca de moradia.
A casinha deles ficava bem afastada de qualquer outro trabalhador da fazenda, e meu avô gostava de ir a cavalo a um bar todas as noites para encontrar os amigos, e minha avó ficava sozinha na casa.
O lugar era muito escuro, cheio de mato ao redor, apenas barulhos de bichos quebravam o silêncio noturno.
Não havia televisão (claro), nem luz elétrica, nem vizinhas ou amigas para conversar. Havia apenas lampiões, terra, mato e bichos.
Uma noite dessas, sozinha em casa, minha avó acabou de jantar e recolheu o lixo da pia. Colocou tudo num saco e abriu a porta da cozinha para jogar o lixo fora. Quando ela saiu na área de terra ao redor da casa, viu uma luz aumentar próximo a uma árvore. A luz ficou mais forte e ela percebeu o que parecia ser uma bola de fogo parada em cima da árvore. Ela ficou olhando a bola de fogo, que estava imóvel, sem entender o que era.
Depois de alguns minutos olhando a coisa, sem saber do que se tratava, a bola desceu da árvore, voando, e correu em direção à minha avó. Ela, desesperada, correu pra dentro de casa e bateu a porta atrás de si. Olhou para a janela fechada da cozinha e percebeu quando o clarão da tal bola de fogo passou correndo pelo lado de fora, circulando a casa, e em seguida desapareceu.
Quando meu avô chegou em casa, ela contou o que tinha acontecido e meu avô não acreditou, achou que fosse algo inventado por ela para que ele passasse a ficar mais em casa.
Dessa forma, no dia seguinte, ele voltou a pegar o cavalo e se dirigir ao bar para encontrar os amigos.
Nessa noite, porém, nada de estranho aconteceu.
Passaram alguns dias e de novo, quando minha avó saiu para colocar o lixo pra fora, percebeu a luz novamente se acendendo em cima da árvore e ficando cada vez mais forte.
Minha avó novamente correu pra dentro de casa e viu o clarão da bola de fogo circulando a casa como da vez anterior, para em seguida apagar completamente.
Minha avó contou que isso aconteceu por várias noites, até que do nada, parou.
E ela nunca soube o que era a tal bola de fogo.


Postado no facebook dia 16/01/20.

Exigente, eu??

Marrapaz, cêis não sabe o que é ser exigente não... se eu fosse exigente iria querer alguém que curtisse Gustavo Santaolalla, Mychael Danna, Éric Serra, Joe Hisaishi, Thomas Newman, Beethoven, Yes, Hans Zimmer, E. S. Posthumus, Peter Gabriel e Elvis Presley.


Postado no facebook dia 20/01/20.

Matei uma barata

Ai meu santo.
Matei uma barata.
Ela veio voando pela porta da cozinha. Grudou na parede lá em cima e ficou me zombando. Peguei a vassoura e meti sem dó no azulejo branco. Ficou aquela freada de terra na parede.
Ela voou pra algum outro lugar que eu não vi, tão desesperada eu tava em proteger meu cabelo daquele monstro que morde. Comecei a gritar pela cozinha e corri.
Voltei pra sala e a vejo majestosa na parede. Paro de gritar, pego minha super Havaianas e meto-lhe bem no meio das fuças, arrebentando suas asas malignas e peçonhentas. Pronto.
Ali no chão jaz seu corpo pálido.

P.S.: saiba que toda essa minha ousadia foi com uma barata que media 1,5 cm.


Postado no facebook dia 22/02/2017.
Ok, assunto polêmico: sabe quando a paulista deixa a piauiense no vácuo com apenas um beijinho no rosto? Então, já deixei trocentas pessoas me olhando feio porque elas foram com a cabeça na direção oposta do primeiro beijo e eu já tinha saído pra cumprimentar a próxima (e deixá-la no vácuo tb, obviamente).  E a pessoa ficou parada lá, fazendo bico, apoiando o peso do corpo numa perna só, meio torta.
O problema é que o país não é padronizado nem no quesito idioma, que dirá no beijinho.
No idioma eu já dei uns foras bacanas tb. Tipo quando o Cesar me disse um “arrocha!” saindo de um posto de gasolina. Freei o carro e fiquei olhando, procurando a pedra no meio do caminho. Não que eu tenha o costume de chamar pedra de rocha, mas pelo tamanho do grito do moço, imaginei que no Piauí eles chamassem bloco solto de asfalto de rocha. Depois de solucionar o mistério, avisei: “aqui a gente fala pisa fundo, amigo, tu nunca mais me assusta assim”. E isso porque eu nem vou tocar no assunto do bombom. Que ele chama bala de eucalipto de bombom (e qualquer outra bala nada-a-ver-com-bolinhas-de-chocolate).
De qualquer maneira, segue o mapinha dos beijinhos no Brasil, pra gente tentar diminuir os vácuos.
Ahhh, e segue o da França também de curiosidade. Se vc acha ruim ter que dar 3 beijinhos, imagina 4 como em algumas regiões francesas... deve dar até cãimbra nas bochechas.




Postado no facebook dia 27/02/20.

Mensagem aos restaurantes

Atenção senhores garçons, gerentes de restaurantes, maîtres, atendentes de lanchonete: gente, bora abolir esse negócio de ir perguntar “veio tudo certo no seu pedido?” bem no meio daquela garfada monstro que o cliente deu. Eu tava aqui tentando abocanhar um sanduíche duplo, cheio de coisa caindo no prato, mó bocão aberto, mãos cheias de maionese (a única que eu como, por sinal), aquela cena típica de um tiranossauro destroçando um estegossauro depois de ter saído da dieta, sabe? Acho que até grunhindo eu tava enquanto tentava morder o duplex. Aí, no meio da minha selvageria, escuto:
- Veio tudo certo com seu lanche??
Parei no meio do abate, não sabia se respondia com a boca cheia mesmo ou se fazia o sinal da cruz pra ela.
Rapaz, pra que isso?
Pode ter certeza de que se meu prato vier errado, eu vou chamar alguém e vou reclamar. Esse pró-ativismo no meio de um dos momentos mais grotescos do nosso dia não é algo saudável e tem que ser desencorajado nos restaurantes.


Postado no facebook em 04/03/20. Pra meu controle apenas... hehehehehehehe!

  I wanted a pretty name for the death. But I wanted a simple, easy, common name. I didn't want to call her Miss Death. Death, The Hour,...