

Se eu fosse fazer uma retrospectiva desse ano, diria que foi um ano merda até mais ou menos o mês de setembro. Como sempre, meu setembro negro trouxe uma coisa boa: minha transferência de volta a Guarulhos. E uma muito ruim, que se eu pudesse, trocaria pela boa sem pensar: minha Lola foi embora. Foi o pior dia da minha vida em muitos anos. Eu sofri demais a perda da minha companheira, da minha filhinha, da minha vidinha. A Lola era minha amiga fiel para todos os momentos, como um bom cão é. E foi tão repentino, tão injusto com minha bebê, que eu não consegui me conformar. Ainda hoje dói olhar pra casinha dela no quintal e não vê-la com seus olhinhos meigos tentando camuflar uma fuga pra cozinha, ou uma patinha erguida pedindo carinho... Eu não gosto de imaginar se eu poderia ter feito alguma coisa diferente por ela. Não gosto e não quero.
Sobre minha transferência, eu já prometi pra mim mesma que não iria mais reclamar de Campinas de jeito nenhum, mas quando vejo, já estou reclamando e falando horrores. É meio que cuspir pra cima: aprendi muito lá, conheci pessoas maravilhosas, adorei o trabalho que exerci, principalmente em APP. Mas perdi muitas coisas idem: perdi tempo de ficar em minha casa com o César, com minhas cachorras, com minhas coisas, fazendo minha comida, ouvindo minhas músicas, assistindo meus filmes. Perdi dinheiro, e muito. Perdi saúde. Ganhar eu ganhei peso, demais, e ainda não consegui perder. Enfim, pra mim, na contabilidade geral, Campinas acabou sendo um pesadelo e eu realmente fiquei feliz em ter voltado pra casa. Até a cidade de Guarulhos ganhou um toque especial com tudo isso: ela pode ser cinza, toda remontada, favelão, feia, suja e com muita gente de má vontade. Campinas é verde, charmosa, carérrima e com um povo provinciano que eu espero que coração que engula a cidade, que não saia dali por nada, nem mesmo pra enfeiar ainda mais Guarulhos. Já falei sobre o que eu penso de Campinas e do campineiro em outro post, nem vou repetir. Prefiro continuar aqui do que viver no meio de tamanha hipocrisia e esnobismo, se é que está correto o uso dessa palavra...
Eu espero que seja a última vez que eu desabafe toda minha má vontade em cima de Campinas, porque me dá dores musculares quando lembro de todo o conjunto de lá.
Bom, vamos falar de algo bom, pelamordedeus, né???? Eu não poderia deixar de mencionar que eu perdi uma bebê nesse ano, mas ganhei outras três!!! Sim, Ayla, Gaia e Vega. Na verdade a Gaia não é minha, é da Lana, mas vai ficar em casa por mais alguns dias até que ela acerte a casa dela e eu pense seriamente se vou devolver a bichinha ou não!! Trata-se de uma Kuvasz, branquinha, com 3 meses de idade. Um cão gigante, mas que hoje ainda pesa apenas 12 quilos, tem uma boquinha afiada mas quentinha, que ou me dá mordidinhas no nariz, ou lambidinhas na orelha quando não está ganhando atenção devida.
Tudo começou com a morte da Lola: eu fiquei muito mal e a Nick idem. Sempre ouvi falar que cães que vivem juntos sofrem demais a perda do outro, podendo até entrar em depressão. Logo nos primeiros dias, a Nick já não estava normal. Estava quieta, deitava na porta da sala com as patinhas cruzadas, e ficava assim por horas a fio. Eu comecei a me preocupar porque ela é uma cachorrinha hiperativa, que passou por 3 donos diferentes antes de ser minha bebê, e com isso cresceu com insegurança e carência extrema. Não era normal que ela deitasse, ainda mais que cruzasse as patinhas e ficasse por horas nessa posição, sem latir no portão, sem correr pra dentro da sala querendo atenção e carinho. Com uma semana apenas da morte da Lola, eu desesperei mesmo. Fui pro aeroporto em uma reunião chorando pacas por causa da Lola, e a Nick, quando me viu sair, não fez nada, ficou me olhando com uma carinha calada, quieta, não abanou rabinho e não latiu. Voltou pra dentro da casinha e por lá ficou. Na volta da reunião eu parei em um pet shop e perguntei sobre filhote de Labrador. Eles não tinham nenhum ali, mas me informaram que se eu realmente quisesse, eles buscariam um em São Paulo e eu poderia voltar de tarde para buscar. Só fiz ligar pro César e perguntar se eu poderia confirmar a compra de uma fêmea. De tarde fui lá pra buscar a Ayla, uma labradora palha de 45 dias, fofinha como todo filhote. Esperei que a veterinária examinasse a bebê, desse as vacinas, me indicasse tudo o que era preciso pra criar um filhote de labrador. Comprei ração, comedouros, brinquedinhos, tudo. Voltei pra casa e apresentei a nova filhinha pra Nick. Bom, de cara aquela coisa: ela achava que se tratava de um ratinho e a tratava como tal, batia com a patinha pra ver se estava viva, se se mexia, como "funcionava". A Ayla pareceu um pouco assustada com a Nick, mas foi se soltando rápido. O nome foi mais complicado de escolher: a seleção começou cedo e ainda não tinha terminado até que eu tivesse ido buscar a cachorrinha. Passamos por Lila, Mila, Mika... Nada do que o César falava eu gostava, e vice-versa. Aí cheguei no Isla, por causa da atriz Isla Fisher. Só que a pronúncia é Ayla, mas seria Isla mesmo. Depois de alguns retoques, fechamos em Ayla, com escrita Ayla porque se a escrita fosse Isla ninguém falaria certo. E fica aquela coisa de pobre também, da criança chamar Stéfani e a escrita ser Hystéphanye...
Ayla começou a crescer como uma labradora típica: comeu sofá, fez xixi no meu tapete umas quatrocentas vezes, comeu uma Melissa, várias Havaianas, pé de mesa, tudo menos os trezentos brinquedos que eu comprei pra ela. Quem gostou dos brinquedos aliás foi a Nick.
Maaaaas, depois da experiência do meu desespero de deixar a Nick doente por só ser ela e a Lola em casa e de repente ela ficar sozinha (que foi também o que aconteceu com a Ravena na casa da minha mãe), eu decidi que não teria só dois cachorros em casa: teria três. Esperaria a Ayla fazer 6 meses como é recomendado e pegaria um outro filhote, que o César decidiu que seria um Dogue Alemão.
Depois de inúmeras gracinhas de TODO SANTO MUNDO, dizendo que Dogue Alemão mede quatro metros e meio e come meio caminhão de ração por dia, e que eu estava era ficando louca, que minha casa não tem espaço (como se eu não soubesse disso), que eu deveria era engravidar que bebês humanos são melhores... concordei com o César de procurar um Dogue, desde que fosse preto com patinhas brancas. Mas teria que ser só em janeiro, antes disso a Ayla ainda seria filhotona e não daria muito certo.
Aconteceu que o desesperado do César começou a pesquisar e achou vários dogues em São Paulo pela bagatela de 1500 a 2100 reais. Apenas. Ficou doido, porque já estava apaixonado pelo porte do cachorro e queria porque queria um dogue mas não pagaria os 1500 reais. Achamos em Uberlância por 500 reais, do jeito que eu queria (preto com patinhas brancas), e com as duas viagens que eu teria que fazer para comprá-lo, sairia 900 reais. E eu ainda passearia por Uberlândia!!
Nesse meio tempo, de compra do dogue firmada apenas por telefone, veio mais uma novidade: a Lana havia comprado uma Kuvasz de dois meses, mas ainda não tinha onde deixar a menininha enquanto não resolvesse a casa dela. E perguntou se eu poderia cuidar da filhotinha por um ou dois meses.
Resultou que juntou tudo: uma labradora de 4 meses, uma Kuvasz de 2 e uma doguinha de 45 dias em casa. Fora a Nick, doida com o tanto de cachorro bebê chorando e fazendo xixi por todo lado. Minha casa virou do avesso: a sala hoje fede a cachorro meeeesmo, tá tudo horrível, com portõezinhos no corredor e no quintal, tenho que lavar o quintal duas vezes por dia - economizando água pra isso, senão nem o planeta nem minha conta de água aguentam - o banheirinho virou depósito de ração, coleiras, brinquedos, paninhos, biscoitos, ossinhos, shampoo pra cachorro. O tapete da sala nem se fala... tá impregnado e volta e meia a Luzia tem que tirar e lavar a grosso mesmo. Sala e cozinha que eu lavava a cada 15 dias não passa mais que uma semana sem água. Meu sofá ERA preto. Agora fica com penugem branca, e eu fico com braço de caminhoneiro pra limpar aquilo tudo.
Mas eu não trocaria essa bagunça por nada!!! Não tem nada que pague a minha sensação quando eu abro a porta da sala e sento no chão com elas, fica uma me mordendo o nariz, outra morde meu cabelo, outra lambe minha mão... todo mundo querendo carinho, atenção, daí... até que elas sossegam, deitam, dormem... como quatro anjinhos.
Nas fotos: Ayla e Gaia em cima e Vega na de baixo.

