Bom, estou ouvindo "Frank Pourcel - La Mer", em homenagem ao meu pai. Lembro que adorava os domingos de manhã, quando ele punha seus discos no Telefunken da sala, e nos colocava a rodopiar com ele, ora bailando em cima de seus pés, ora num cantinho esperando a minha vez, enquanto ele girava a Renata... Não consigo lembrar da Michelle nesses momentos, mas acho que ela também participava.
Ah, como era bom!! Domingos alegres, sempre claros e quentes, dando início a um dia que seria sempre lembrado por nós. Às vezes eu acho que é por isso que eu gosto tanto dos domingos pela manhã. Até mesmo de trabalhar domingo de manhã eu gosto. E também por isso que eu sempre gostei de aeroportos: outra fonte de inspiração do meu pai. Ele nos levava a Viracopos, mostrava a torre e dizia: "ali ficam os controladores"... eu nem fazia idéia do que era um controlador, e ele explicava. Mas gostava mesmo era de ver os aviões. E eu também.
Dizem que em sua infância ele fora extremamente coculado e mimado, visto que perdeu a mãe muito cedo, aos cinco anos de idade. Depois, só sei que teve uma juventude feliz: cantava nos corais da igreja, era bonito, sempre andava perfumado, fazia a alegria dos amigos nos bares, contando piadas, cantando acompanhado de seu violão e tomando sua cervejinha. Minha mãe ficava encantada... eu até imagino.
Era inteligente e tinha um gosto refinado, e acho que a Renata ganhou isso dele. Sempre gostou de músicas clássicas, tinha a letra mais bonita que eu já vi na vida, era fã de Ingrid Bergman e Michelle Pfeiffer (hum, já viu de onde saímos eu e a Michelle, não??), tinha vontade de conhecer o Rio Grande do Norte e viajou de avião uma vez na vida, quando foi a Manaus. Tocava violino. Sempre gostei do som desse instrumento. Ficava lindo de cavanhaque, mesmo depois de velho. Não gostava de vê-lo só de bigode, entretanto... Acho que nunca o vi vestindo uma camiseta. Sempre camisas de cores claras. Sempre, a vida toda, de calças compridas. Jamais o vi com uma bermuda ou shorts. Gostava de ir a uma padaria mais longe de casa só pra comprar bengalas. Demorou a acostumar com o tal do "pãozinho". Leite quente todos os dias pela manhã, e tinha que ser fervido no fogão. Nada de esquentar no microondas. Eu achava que era frescura até experimentar. Não é que é mais gostoso mesmo?? Posso até sentir o cheiro do leite queimando no fogão... cheiro doce...
Gostava mais do frio e sempre tomava banhos gelados, mesmo no inverno. Gostava do horário de verão e admirava o por-do-sol sempre que podia. De preferência lá em cima da mureta do terraço, causando faniquitos e arrepios na minha mãe.
Sei que gostava de azeitona recheada de pimentão e adorava feijão bem salgado, mas nunca o vi rejeitar qualquer comida na vida. Comia o que tivesse pra comer, e dá-lhe Renata aí de novo. Minha mãe sempre dizia que se entrássemos em uma guerra, somente a Rê e meu pai sobreviveriam. Ele só não comia era peixe na semana santa: era na sexta-feira que ele comprava o bife mais sangrento do açougue e pedia pra minha mãe cozinhar... Protestante da Congregação Cristã, fazia isso só pra irritar minha mãe católica. E conseguia... saía cada pau na sexta-feira santa lá em casa que a gente preferia fugir.
Todos os dias ele colocava pijama pra dormir.Ah, como era bom!! Domingos alegres, sempre claros e quentes, dando início a um dia que seria sempre lembrado por nós. Às vezes eu acho que é por isso que eu gosto tanto dos domingos pela manhã. Até mesmo de trabalhar domingo de manhã eu gosto. E também por isso que eu sempre gostei de aeroportos: outra fonte de inspiração do meu pai. Ele nos levava a Viracopos, mostrava a torre e dizia: "ali ficam os controladores"... eu nem fazia idéia do que era um controlador, e ele explicava. Mas gostava mesmo era de ver os aviões. E eu também.
Dizem que em sua infância ele fora extremamente coculado e mimado, visto que perdeu a mãe muito cedo, aos cinco anos de idade. Depois, só sei que teve uma juventude feliz: cantava nos corais da igreja, era bonito, sempre andava perfumado, fazia a alegria dos amigos nos bares, contando piadas, cantando acompanhado de seu violão e tomando sua cervejinha. Minha mãe ficava encantada... eu até imagino.
Era inteligente e tinha um gosto refinado, e acho que a Renata ganhou isso dele. Sempre gostou de músicas clássicas, tinha a letra mais bonita que eu já vi na vida, era fã de Ingrid Bergman e Michelle Pfeiffer (hum, já viu de onde saímos eu e a Michelle, não??), tinha vontade de conhecer o Rio Grande do Norte e viajou de avião uma vez na vida, quando foi a Manaus. Tocava violino. Sempre gostei do som desse instrumento. Ficava lindo de cavanhaque, mesmo depois de velho. Não gostava de vê-lo só de bigode, entretanto... Acho que nunca o vi vestindo uma camiseta. Sempre camisas de cores claras. Sempre, a vida toda, de calças compridas. Jamais o vi com uma bermuda ou shorts. Gostava de ir a uma padaria mais longe de casa só pra comprar bengalas. Demorou a acostumar com o tal do "pãozinho". Leite quente todos os dias pela manhã, e tinha que ser fervido no fogão. Nada de esquentar no microondas. Eu achava que era frescura até experimentar. Não é que é mais gostoso mesmo?? Posso até sentir o cheiro do leite queimando no fogão... cheiro doce...
Gostava mais do frio e sempre tomava banhos gelados, mesmo no inverno. Gostava do horário de verão e admirava o por-do-sol sempre que podia. De preferência lá em cima da mureta do terraço, causando faniquitos e arrepios na minha mãe.
Sei que gostava de azeitona recheada de pimentão e adorava feijão bem salgado, mas nunca o vi rejeitar qualquer comida na vida. Comia o que tivesse pra comer, e dá-lhe Renata aí de novo. Minha mãe sempre dizia que se entrássemos em uma guerra, somente a Rê e meu pai sobreviveriam. Ele só não comia era peixe na semana santa: era na sexta-feira que ele comprava o bife mais sangrento do açougue e pedia pra minha mãe cozinhar... Protestante da Congregação Cristã, fazia isso só pra irritar minha mãe católica. E conseguia... saía cada pau na sexta-feira santa lá em casa que a gente preferia fugir.
Tô lembrando agora que ele gostava de Pixinguinha... hum, não sei.
É... são imagens que a gente nunca vai esquecer. E hoje eu acordei pensando muito nele... Saudades dos tempos bons com ele em casa.
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