Monday, March 09, 2009

Estou...

... por causa dessa droga de Indaiatuba. Como pode uma pessoa amar e odiar tanto uma cidade em tão pouco tempo?? Ela é linda, bem cuidada, verde, cheia de barzinhos e ruas charmosas. Mas que calor dos infernos!!! Estou morena super jambo por causa dessa porcaria. Eu odeio tomar sol!! ODEIO ficar bronzeada!! Odeio calor, suor, sol quente, água de coco. Sinto falta da sombra, da chuva, do frio, dos casacos, meus cachecóis, luvas, segunda pele, meia-calça!!! Chás e chocolate quente, vinho e tequila. Resfriado, congelamento entre o chuveiro quente e a toalha, CHUVEIRO QUENTE, batom vermelho, cabelo que pára escovado, roupa que não seca no varal, bolo com café, temporal, vááários edredons amontoados. INVERNO. Ai, que falta.
Sabe, eu nasci no mês de junho, acho q por isso gosto tanto de inverno.
Hoje estávamos na torre falando do nosso tempo de IPV. Ótimos tempos aqueles. Foram uns dos melhores da minha vida.
Tinha a época em que as meninas do quarto só andavam (no quarto, óbvio) de calcinha e sutiã, ou só de calcinha, ou sem nada. Ao natural. Mó imagem dos infernos, eu num quarto com três mulheres peladas pra cima e pra baixo. Não aguentava. Tinha dia que não conseguia conversar direito com a Ana Zilda com aquele par de peitos me encarando.
- Ahhh, Tatááá!!! Cobre isso aí, eu não sou obrigada e ficar olhando isso.
Ela ria, mas não se cobria porcaria nenhuma. A Márcia saía do banheiro só de calcinha, pra pegar as roupas no armário q ficava bem em frente a minha cama.
Meu, que coisa estranha.
Daí lembrei que eu tinha um videocassete que rodava o IPV, cada hora era um dos meninos pedindo que eu emprestasse o video no final de semana, pq o Fabiano iria trazer filmes para eles assitirem. Eu emprestava, mas ficava pegando no pé:
- Olha lá, hein? Se entregar esse vídeo com alguma sujeira, vão ter que pagar pela limpeza. E lavem as mãos antes de trocarem os filmes, porque senão vai entrar sujeira e sujar todo o cabeçote.
- Que cabeçote, Ingrid??
Hum. Sugestivo e nojento. Não quero nem saber. Daí todo mundo falava que não, que iriam juntar quinze homens num quarto pra ver "Para Sempre Cinderela". Nesse caso, a gata borralheira deveria ser muito maltratada pela madrasta e as duas irmãs malvadas e belíssimas.
Eu acho estranho juntar quinze caras num quarto pra ver filme pornô, sabia? Parece aquelas coisas onde todo mundo tem que ficar beeeem separado um do outro, porque se um triscar o cotovelo no outro e o outro arrepiar, pronto. Nada de friozinho na barriga involuntário... Nada contra, mas é engraçado.
Caramba, meus braços estão muuuuito queimados de sol. Vou ter que vestir uma luva comprida até o ombro e sair pelada pela rua pra igualar a cor.

Tuesday, March 03, 2009

Trem de carga... com uns cinquenta vagões

Uma bela manhã descobri que daqui de cima da torre eu consigo ver a linha de trem. E não só a linha, eu vejo o trem!!! E seus cinquenta vagões lotados de alguma coisa não alimentícia deslizando vagarosamente pelos trilhos antigos. Eu acho espetacular. Sempre gostei de trens. Meu sonho de consumo de criancinha era um Ferrorama super carregado de vagõezinhos e locomotivas de ferrinho que eu podia brincar montando uma super estação na sala da minha casa. Mas não sei se minha mãe achava que eu poderia virar menino com um brinquedo nada cor-de-rosa, e nunca me deu um. Ainda assim ela permitia que eu ganhasse jipes e caminhões de plástico, tudo pra colocar minhas Engatinhadoras, Barbies falsificadas e bonecas que eu fazia de tubos de canetas com fitas de cetim desfiadas. Colava o cabelo postiço com durex amarelo, ficava medonho. Mas eu adorava fazê-las.
Voltando aos trens: eu gostava de ir ao Tu-Tubarão (auto lanches) em Valinhos e ficar esperando um trem passar. Sentava com a Renata na pracinha, e ficava toda entusiasmada quando ouvia o "téc-téc-téc" da cancela baixando, informando que havia um trem se aproximando. Dali a pouco vinha o trem, assoviando pelos trilhos, alertando os motoristas dos carros parados próximos à linha. Agora a diversão era contar os vagões. Muito antigamente (20 anos é muita coisa mesmo... estou velha!), não gostávamos quando era o trem de passageiros, pois tinha poucos vagões. Gostávamos mesmo dos trens de carga. E contávamos todos eles, contando com as locomotivas. Às vezes a Michelle estava junto e contava também, mas no final do balanço sempre havia mais vagões ou menos para cada uma de nós, demonstrando que, se a conta não foi igual para as três, duas de nós ou tínhamos problemas de vista ou com matemática básica. Ou não sabíamos contar. Eu sempre fui boa de vista... Acho que não sabia contar mesmo.
Hoje os de passageiros não existem mais ali. Ou se passam, não param mais na saudosa e verde estação de Valinhos. Sei que nunca mais vi. Agora os de carga são mais constantes.
Lá de casa, nós ouvíamos o assovio de um deles cruzando a cidade durante alguns minutos na madrugada. O que me lembra que nós ouvíamos também a sirene da Rigesa... Acho que era troca de turno, nem sei.
Imagine como fiquei toda faceira aqui na torre da primeira vez que vi os vagões cortando o cenário verde da área oeste do aeroporto, ora se escondendo por trás de algumas árvores.
Mas daqui ainda não consegui contar os vagões. Mesmo porque estou em estágio, se eu ficar parada no meio da torre, olhando pro nada, gesticulando com os dedos e falando sozinha e baixinho, acho que não serei homologada. Vou ganhar uma consulta com um psiquiatra.

  I wanted a pretty name for the death. But I wanted a simple, easy, common name. I didn't want to call her Miss Death. Death, The Hour,...