Uma bela manhã descobri que daqui de cima da torre eu consigo ver a linha de trem. E não só a linha, eu vejo o trem!!! E seus cinquenta vagões lotados de alguma coisa não alimentícia deslizando vagarosamente pelos trilhos antigos. Eu acho espetacular. Sempre gostei de trens. Meu sonho de consumo de criancinha era um Ferrorama super carregado de vagõezinhos e locomotivas de ferrinho que eu podia brincar montando uma super estação na sala da minha casa. Mas não sei se minha mãe achava que eu poderia virar menino com um brinquedo nada cor-de-rosa, e nunca me deu um. Ainda assim ela permitia que eu ganhasse jipes e caminhões de plástico, tudo pra colocar minhas Engatinhadoras, Barbies falsificadas e bonecas que eu fazia de tubos de canetas com fitas de cetim desfiadas. Colava o cabelo postiço com durex amarelo, ficava medonho. Mas eu adorava fazê-las.
Voltando aos trens: eu gostava de ir ao Tu-Tubarão (auto lanches) em Valinhos e ficar esperando um trem passar. Sentava com a Renata na pracinha, e ficava toda entusiasmada quando ouvia o "téc-téc-téc" da cancela baixando, informando que havia um trem se aproximando. Dali a pouco vinha o trem, assoviando pelos trilhos, alertando os motoristas dos carros parados próximos à linha. Agora a diversão era contar os vagões. Muito antigamente (20 anos é muita coisa mesmo... estou velha!), não gostávamos quando era o trem de passageiros, pois tinha poucos vagões. Gostávamos mesmo dos trens de carga. E contávamos todos eles, contando com as locomotivas. Às vezes a Michelle estava junto e contava também, mas no final do balanço sempre havia mais vagões ou menos para cada uma de nós, demonstrando que, se a conta não foi igual para as três, duas de nós ou tínhamos problemas de vista ou com matemática básica. Ou não sabíamos contar. Eu sempre fui boa de vista... Acho que não sabia contar mesmo.
Voltando aos trens: eu gostava de ir ao Tu-Tubarão (auto lanches) em Valinhos e ficar esperando um trem passar. Sentava com a Renata na pracinha, e ficava toda entusiasmada quando ouvia o "téc-téc-téc" da cancela baixando, informando que havia um trem se aproximando. Dali a pouco vinha o trem, assoviando pelos trilhos, alertando os motoristas dos carros parados próximos à linha. Agora a diversão era contar os vagões. Muito antigamente (20 anos é muita coisa mesmo... estou velha!), não gostávamos quando era o trem de passageiros, pois tinha poucos vagões. Gostávamos mesmo dos trens de carga. E contávamos todos eles, contando com as locomotivas. Às vezes a Michelle estava junto e contava também, mas no final do balanço sempre havia mais vagões ou menos para cada uma de nós, demonstrando que, se a conta não foi igual para as três, duas de nós ou tínhamos problemas de vista ou com matemática básica. Ou não sabíamos contar. Eu sempre fui boa de vista... Acho que não sabia contar mesmo.
Hoje os de passageiros não existem mais ali. Ou se passam, não param mais na saudosa e verde estação de Valinhos. Sei que nunca mais vi. Agora os de carga são mais constantes.
Lá de casa, nós ouvíamos o assovio de um deles cruzando a cidade durante alguns minutos na madrugada. O que me lembra que nós ouvíamos também a sirene da Rigesa... Acho que era troca de turno, nem sei.
Imagine como fiquei toda faceira aqui na torre da primeira vez que vi os vagões cortando o cenário verde da área oeste do aeroporto, ora se escondendo por trás de algumas árvores.
Mas daqui ainda não consegui contar os vagões. Mesmo porque estou em estágio, se eu ficar parada no meio da torre, olhando pro nada, gesticulando com os dedos e falando sozinha e baixinho, acho que não serei homologada. Vou ganhar uma consulta com um psiquiatra.
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