E veio a tal da separação, que a gente nunca espera realmente que aconteça na vida da gente. Mas aconteceu. Da melhor ou pior forma eu não sei dizer, sei que veio. Eu não tenho traumas em falar sobre isso, pelo contrário: até decidi postar o que começou a acontecer no
O fato é que de verdade, a gente nunca tá preparado pra uma situação dessa. Eu, desde que me casei, acreditava naquela de "que seja eterno enquanto dure", mas no fundo não sabia que ia durar tão pouco. Ou tanto, se eu parar pra pensar no que perdi da vida estando casada. Tá certo que não deixei de fazer muita coisa; a não ser, lógico, sair namorando quem eu quisesse. (Se bem que nem solteira eu fazia isso, mas deixa pra lá). Mas tive bastante liberdade no meu casamento. Dei bastante liberdade. Podia fazer qualquer coisa sem cobrança. Deixava fazer tudo sem cobrar. Amarras soltas, a melhor coisa do meu universo de casada. Eu viajei, dancei, saí pra baladas, morei em outras cidades, cortei meu cabelo de vários tamanhos diferentes, engordei, emagreci, engordei de novo. Usei aliança enquanto gostava, depois larguei a bicha num canto e esqueci dela. Aprendi a cozinhar porque eu quis, lavava as louças quando queria, dormia sem dividir o cobertor. É, tem muita coisa da minha vida de casada que eu não posso reclamar.
Por outro lado... ah, por outro lado. Por outro lado eu deixei também de fazer muitas coisas por estar casada. Deixei de viajar mais. Deixei de colocar cebola na comida (eu simplesmente amo cebola). Deixei de pedir aquela transferência pro sul do país. (Aliás, deixei de IR em primeiro lugar pro sul do país). Mas se você me perguntar, eu não sei dizer até onde isso tudo me faria ter feito uma escolha diferente da que eu fiz. O casamento faz a gente crescer, faz a gente aprender. Coisas boas e coisas ruins.
Mas e aí, e como foi me ver solteira de novo quase aos quarenta anos de idade? Não sei. É estranho. Primeiro eu tenho aquela sensação de que quanto mais cachorros eu tiver, melhor. Porque não vou morrer sozinha. Depois eu penso que "ma que!! Sua liberdade está garantida para toda a eternidade!!". Por fim vejo o que realmente acontece: as mesmas pessoas estão ao meu lado, as mesmas pessoas que faziam parte da minha vida, continuam fazendo. Você não passa a ser olhada pela vizinhança como uma anormal (como deveria ser antigamente para as divorciadas). Aliás, a vizinhança mal sabe o que se passa aqui dentro de casa... mas enfim. É difícil imaginar sair namorando de novo como quando a gente tinha 17 anos. Todo mundo da minha idade tem uma história de vida, tem uma batalha ganha e outra perdida, tem cicatrizes enormes, tem traumas e medos. Todo mundo tem vivência. O que faz com que a gente comece a ficar seletiva e abstrata. Começa a não dar mais importância para o que é regra. Fica escaldada. Não tenho mais os mesmos medos de quando era solteira da primeira vez, mas tenho outros.
Hoje, minha maior riqueza é minha liberdade.
Perder isso me faria morrer.
De resto, nada como um dia após o outro, uma viagem após a outra, uma nova amizade, uma nova conquista, uma nova dívida, uma nova lição, um novo amor, um novo mundo. Repleto de possibilidades. Basta que eu mantenha a minha vida aberta a isso, e depois, com certeza, não vou nem me lembrar de como era viver por esse período pós-dramático.
No comments:
Post a Comment