Wednesday, January 13, 2016
A síndrome da idade avançada...
Porque quanto mais o tempo passa mais as pessoas tem medo de fazer aniversário? Esses dias um amigo está fazendo 40 anos (hoje, pra ser mais exata), e quando o cumprimentei pelos 40, ele pareceu achar muito. Muito tempo. Claro que eu gostaria de ficar mais nova a cada dia que passa, mas também, por outro lado, não trocaria meus quase 40 anos de vida pelos 20 de alguém. Esses 40 anos me tornaram o que eu sou hoje. Eu, aos 17, era uma boboca. Não que ainda não seja. Mas hoje eu sou uma boboca mais esperta. Com 20 anos eu nunca tinha saído do estado de São Paulo, namorava uma pessoa que me torturava e não conseguia sair daquilo (e achava que ia casar com ele), queria fazer faculdade de veterinária e não tive coragem de assumir os custos, não conseguia fazer as coisas por mim mesma. Aí a idade foi chegando. Eu casei, vivi, bebi, passei mal, fiz uma cirurgia, quebrei o braço, mudei de cidade, me endividei, adotei minhas cachorras. Não podia ser a pessoa que sou hoje com 20 anos de novo, mesmo que me fosse oferecido voltar ao tempo. Não quero voltar. Quero ir pra frente. Hoje tenho muito mais paciência do que há 20 anos. Hoje eu sei cozinhar. Sei viajar de avião sozinha. Sei o que fazer pra ajudar alguém em caso de turbulência. Me viro em inglês, francês e espanhol e até falo "oi" em russo. E italiano. Gosto de Bob Marley e Pink Floyd - nos meus 20 isso estava fora de cogitação. Aliás, com 20, eu dizia pra todo mundo que gostava de Legião Urbana e MPB - porque tinha vergonha de assumir a verdade e ser discriminada. Hoje eu não deixo as pessoas falarem do que eu devo gostar. Se eu quiser colocar Beth Carvalho e Beethoven na minha playlist, eu coloco. (Não tem Beth na minha playlist... hehehe). Com 20 eu ia à missa e falava pra todo mundo que acreditava em tudo. Achava que a capital da Australia era Sidney e da Turquia era Istambul. Sim, perto dos 20 anos. Bebia Kaiser e Belco. Kaiser Bock. Até bebo hoje, mas já sei a diferença entre essas e cervejas que fazem mais meu gosto. Hoje conheço a dor de perder alguém, embora não quisesse ter essa experiência. Hoje conheço o amor incondicional de uma pessoa que não é irmã, nem pai, nem mãe: sobrinho. Não importa o que aconteça, ele é a melhor pessoa do mundo na minha vida. Tenho mais medo de perdê-lo do que qualquer outra coisa na vida. Hoje sei que o amor é o bem mais valioso que eu posso ter, e só ele pode me trazer felicidade: as coisas que amo fazer, as pessoas que amo estar junto. Se não tiver, não tem como ser feliz. Aprendi que amizade quase não existe. É algo raro, e quando ela existe, tem amor junto - só por isso que ela é possível. Aprendi a rir dos meus T.O.C.'s. Antes eu tinha vergonha que as pessoas pudessem notar. Hoje eu chupo o dedo onde estiver, quando der vontade. Antes escondia das pessoas por vergonha. Hoje eu sou uma pessoa mais completa, mais experiente, menos saudável, menos bonita, mais eclética, mais tolerante, menos exigente, mais triste, mais feliz, mais real. Não, definitivamente não quero voltar aos meus 20. Que venham os 40, 50, 60...
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Ai meu santo. Matei uma barata. Ela veio voando pela porta da cozinha. Grudou na parede lá em cima e ficou me zombando. Peguei a vassoura ...
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