Wednesday, February 06, 2008

Estou sozinha...

Hum... Cesinha trabalhando. Entrou às seis da tarde e vai sair somente às seis da manhã. Eu aqui no quarto do computador, ouvindo música, tomando uma Itaipavinha ótima, lembrando de Teresina e digitando no teclado como se estivesse tocando um piano... (sério: até projeto a cabeça de um lado para outro, me sentindo a própria Stevie Wonder enquanto digito e tento decifrar a letra da música britânica que não conheço (eu cantando música em inglês sem conhecer a letra é algo que realmente vale um filminho de dois minutos). O problema todo é quando a gente acha que sabe cantar. Acho que o pior é quando eu realmente sei cantar a música: me sinto a Celine Dion, solto a voz (seguro a franga) e lá se vão os ouvidos virgens do menino César irritado por uma voz tão alienígena quanto monástica, que mais se assemelha a um sino (eu falei monástica como se relativo a igreja), meio fina, meio estranha, mas com a segurança que só quem conhece a letra pode fornecer. Hum, se o César ler isso vai ficar bloqueando todos os sites que divulgam letras de músicas na internet. Não, Cé, isso seria errado e um fiasco... Aliás, é exatamente por ficar sozinha assim como hoje que eu entro nesses sites e aprendo como se canta "My Heart Will Go On" certinho. Daí, meu anjinho, é só ouvir e apreciar. Afinal, quem canta os males espanta. E como diria Chico Bento: "espanta os bens também"...
Mudando de pato pra ganso: estava repensando minha vida esses dias atrás. Sabe, antes de continuar quero dizer que acredito piamente que as pessoas não mudam. Acho que elas melhoram ou pioram, dentro daquilo que elas são. Esse lema me acompanha desde episódios nada agradáveis que datam mais de dez anos desde hoje. Então, não sei até que ponto influenciada por esse ditado ou "amadurecida pela idade", resolvi aceitar minha vida do jeito que ela é e não mais pensar naquilo que me faz uma irresponsável sem tamanho. Acho que tentei sempre viver a vida com uma certa intensidade que muita gente considera como irresponsabilidade, mas às vezes não é. A vida é hoje. Amanhã eu posso não estar mais aqui (espero estar por muitos amanhãs...). Mas é a verdade. O ser humano já nasce acrescido de responsabilidades que não fazem juz à sua natureza. Tem que rir aos três meses, tem que falar "mamãe" até os onze e talvez andar antes dos quinze. É o natural dele, mas quando ele não o faz, inicia-se o nervosismo seguido pelo desespero de que algo não está certo. Tudo nos é esperado desde nosso nascimento, quando algo não sai como planejado, logo aparecem as dúvidas: "hum, ele ainda não anda? Tem algum problema". "Nossa, ela já está namorando? Cuidado, hein?". "Ele ainda não arrumou emprego. Deve ter algum problema de dislexia". "Meu Deus, ele é gay, eu não terei netos!!!". Calma, humanidade, nem tudo deve ser planejado dessa maneira, e tudo é mais normal do que se acredita. O mundo se preocupa com coisas estranhas ao meu mundo mágico e vibrante: não, eu AINDA não comprei uma casa. Não, eu AINDA não tenho filhos. Não, eu AINDA não fiz faculdade. E, quer saber? Ainda tenho coisas muito importantes para fazer que o mundo não me cobra! Nunca assisti "O Poderoso Chefão"! Nem "Os Imperdoáveis" ou ainda "Império do Sol"!!! Não fui a Belém, nem a Yucatán, Oslo, Salvador, Ouro Preto, Casa Branca (SP). Não pulei ainda de pára-quedas. Não dirigi um Audi A4. Não escrevi um livro. Não conheço um templo Budista. Não falo francês fluente. Não li meu último livro do Calvin. Aliás, parei no meio de "A Sombra do Vento" e nunca li Saramago. Veja: são coisas que para mim - INGRID - importam muito. E ninguém sabe disso. E tem muito mais ainda. Mas não reclamo: eu vivo minha vida e acho que isso é felicidade. Tenho contas a pagar, tenho prazos a cumprir, tenho que entender o British Airways falando inglês comigo, mas também tenho minhas próprias incursões e devaneios a imaginar, realizar, sonhar. E descobri que podemos ser felizes se esquecermos por um pouco de tempo tudo aquilo que a porcaria de Alexandre o Grande tentou quando começou com o troço de civilização. Ah, não foi ele não??? Tá vendo, mais uma coisa importante que tenho que fazer: estudar quem estabeleceu essas regras no nosso cotidiano. Nascer, crescer, se reproduzir e morrer.
Ahhhh... Muito profundo pra minha cabeça às duas e quarenta e cinco da manhã.

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  I wanted a pretty name for the death. But I wanted a simple, easy, common name. I didn't want to call her Miss Death. Death, The Hour,...