Ela nem sabe que eu escrevo. Ela não sabe dos meus contos, ela nunca soube das minhas redações nas aulas de português. Ela nunca soube como eu gosto de encontrar e agrupar as palavras formando crônicas e contando causos verídicos e inventados, a maioria para fazer alguém rir. Ela nunca se interessou por ler meu blog. Acho que ela nem mesmo sabe que eu mantenho um. Nunca soube das minhas notas altas em redação em concursos - e até mesmo naquela primeira fase passada na Unicamp, que nem eu mesma acreditei, visto que não estudava nada. Certeza que foi a culpa da redação. Uma narrativa que preencheu todas as folhas disponíveis e me custou todos os minutos dados para a prova. Fui uma das últimas a entregar; fato raro na minha vida de ansiosa.
Justo ela, que se diz leitora. Ela que parou de ler quando a vista não mais ajudava e se sentiu muito mal por isso, e que tanto se encheu de felicidade quando enfim conseguiu uma cirurgia e novas lentes que a fizeram recobrar a capacidade da leitura de letras miúdas. Ela, que tanto se interessa pela vida de todo mundo. Ela, tão preocupada com os problemas, com os anseios, com as conquistas das pessoas ao redor da vida dela.
Ela, que escrevia toneladas de cartas e nos fazia ler.
No mundo dela, a vida se resume a leituras diárias. Leituras de todos os tipos de textos que se pode imaginar: curtos, grossos, longos, corretos, mal-educados, sem pontuação. E elas os lê. Todos. Menos os meus. Porque ela não sabe que eu os escrevo, e ela não se interessa por saber disso.
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