Friday, October 16, 2009

EUA

Então eu bati todos os meus preconceitos e fui para os Estados Unidos seguir a Lana em um show da Mariah Carey. Nem tão entusiasmada como se estivesse indo a Madri, cheguei no aeroporto de Los Angeles gripada novamente por causa da porcaria do ar condicionado do avião da Mexicana. Lá chegou a fazer -13º, tenho certeza. Fui quase congelada pedir para que aumentassem a temperatura, visto que meu rolo de papel higiênico que levei para a viagem estava acabando e ainda faltavam 4 horas para o destino. Depois de quase fazer mímica arrancando meu nariz pra comissária mexicana me entender (é, porque falar "it's too cold" abraçando o próprio corpo é realmente difícil para uma comissária de voo internacional entender), a temperatura aumentou um pouco, mas o vírus da gripe já estava instalado no meu corpo, comendo meu nariz e fazendo meus olhos ficarem vermelhos.
Foi sensacional ser olhada como se estivesse com a gripe suína na imigração americana, todo mundo perguntava o que eu tinha e porque estava gripada daquele jeito tentando entrar no país deles. Até o policial que atendeu a Lana perguntou o que eu tinha, porque estava tão chorosa e muito parecida com uma rena.
Por fim conseguimos entrar e fui direto a uma farmácia comprar lenços de papel (o papel higiênico acabou mesmo no vôo). Lembro que da primeira vez que fui a Paris, há 3 anos, a primeira palavra que aprendi em francês foi exatamente lenço de papel: mouchoir. E igualmente a essa viagem, fiquei gripada durante 5 dias, e no meio da viagem duas lindas herpes termais se alojaram na minha boca, deixando minhas fotos ainda mais sensuais.
O meu estado de pura não comoção por estar nos estados americanos começou a acabar já no trajeto aeroporto-Hertz, onde pegaríamos o carro alugado e seguiríamos pra Las Vegas. Estava gostando do que via, parecia uma cidade limpa e bonita. Pegamos um simpático carro automático, e como nenhuma das duas pobres sabia como pilotá-lo, pedimos ajuda a uma funcionária da Hertz. Muito educada e simpática, nos deu aula de direção automática pelo estacionamento da Hertz, e se despediu dizendo que a Lana tinha sido até então uma das melhores alunas que ela tivera em seus tempos de Hertz.
Comecei a mudar minha impressão sobre os cidadãos americanos desde aí. A viagem a Vegas foi muito tranquila, embora estivéssemos sem máquinas fotográficas e meu celular estava com a bateria acabando, não conseguiria tirar muitas fotos.
Chegamos a Vegas à noite, era em torno de 20h00. O hotel-cassino, enorme, nos ofereceu um quarto delicioso, com duas camas extra-grandes, vista para a cidade, banheiro limpo e máquina de café.
Las Vegas foi a surpresa mais grata que eu tive em toda a minha vida de poucas viagens. Já subestimei o Piauí, admito, mas nunca imaginei que Las Vegas seria o que é. Quando pensava em Vegas, só pensava em cassinos. Mais nada. Doce ilusão! A cidade é linda, encantadora! Tem sim milhões de cassinos, mas é tudo muito bonito, tudo muito bem cuidado, tudo farto. Da estrada, as luzes dos hotéis cassinos chamam a atenção, e eu logo lembrei do Mario Kart no Nintendo 64 em uma das voltas mais psicodélicas e fantásticas do jogo. As avenidas largas são lotadas de cafés, lojas, cassinos, hotéis. Tudo brilha. E não são só cassinos. As escadas rolantes nas calçadas que levam os transeuntes aos shoppings, as cascatas dos hotéis, montanhas russas, estátuas, looojas de perder de vista. Shows muito baratos. Dentro dos cassinos você encontra todo tipo de fauna: vimos pessoas vestidas estilo anos 60, atendentes de calcinhas, corpetes e meia-calça, roqueiros, motoqueiros, turistas, de tudo. Eu me apaixonei de cara. A Lana também. Ficamos um dia a mais do que o combinado anteriormente, e só voltamos mesmo a Los Angeles porque já havíamos feito a reserva do hotel com a primeira diária paga, e nosso vôo seria LAX GRU. Senão, não teríamos saído de Vegas.
Uma coisa interessante nessa viagem foi notar como faz falta o conhecimento do espanhol. Já ouvi falar que em Miami ninguém fala inglês, mas nunca imaginei que na Califórnia isso também ocorresse. O problema não é que não falam inglês, eles não entendem o nosso inglês. Éramos corrigidas o tempo todo pelos latinos. Sem contar que eles tem uma educação e uma gentileza fora do tamanho. Um povo mal educado, grosso... Nunca vi igual. Os americanos sim nos tratavam muito bem, e por coincidência entendiam perfeitamente nosso inglês. Mas os latinos... Teve uma situação em Las Vegas, eu entrei na L'Occitane para comprar uns sabonetes, e a atendente era asiática. Eu não entendi bulhufas do inglês que ela falava. Só entendi quando ela perguntou de onde eu era.
- Brasil - respondi.
- Ahhhhh!!! Brasil!!!! Your country blá blá blá blá blá, né???
- Hmm, yes - respondi novamente.
- Ow, and pó pó pó tchá tchá tchá bu bu bu, né?
- Yeees!!!
- Ah, com com com, blé blé blé, tchuca tchuca, né???
- Of course... yes....
Eu só afirmava a tudo o que ela dizia. Tivemos uma conversa ótima enquanto ela embrulhava e cobrava meus sabonetes. Saí da loja e não entendi nem o "bye" dela.
A Lana deve ter saído do país com alguma infecção estomacal, de tão irritada que ela ficava quando era corrigida por eles. Sim, porque eles te corrigem quando acham que você está falando errado o inglês.
Em Los Angeles, num dinner, ela pediu ovos, mas não os queria crus. Perguntou então a atendente latina:
- Eggs, but not (raw) like this... (mostrou a foto dos ovos crus)... - E queria saber como falava "não-crus": well done??
A atendente:
- Hein???
- Not (raw).
- Hein??
- , not !!! - e mostrou no cardápio a palavra raw.
A atendente:
- Ahhhhhhhhhhhh!!! !!!! Naquele erre gutural de rapaz, ráááá!!!
A Lana quase morre.
E a atendente continua:
- So BERY BEL cooked. BERY BELL.
Esconde o rosto... esconde.... segura a risada pelo amor de Deus, que você está num país que não é seu e pode ser preso por preconceito.


* a continuar...

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  I wanted a pretty name for the death. But I wanted a simple, easy, common name. I didn't want to call her Miss Death. Death, The Hour,...