Friday, October 03, 2008

A VIAGEM - parte 2


Ufa, fiquei de escrever a segunda parte da nossa viagem e até hoje não arrumei tempo. Vou escrever de forma mais reduzida que a primeira parte, se é que consigo... Essa foto ao lado é a vista da sacada do nosso hotel em Schwangau.
Pegamos o carro (um Zafira) em Paris e rodamos quase duas horas pra sair da cidade. Não, eu não sabia usar o GPS (ainda - não ria, eu nunca tinha visto um). E rodamos igual paca naquela cidade enooooooorme até acharmos a solução no próprio GPS.
- Michelle, coloca aí o endereço do hotel em Colônia e vê o que dá.
Deu que nos levou até a avenida defronte ao hotel Ibis (maravilhoso) que ficamos. Ainda bem que já passava da meia-noite e a cidade estava quieta, pq eu passei em cima da linha do bonde e parei no meio da avenida olhando pra todos os lados assustada porque a doida da portuguesa do GPS só sabia falar "A chegar ao destino", e eu ali, no meio de um semáforo em cima de uma linha de trem. Olhamos para os lados e vimos o hotel a uns metros à nossa direita. Como não vinha carro nenhum, jogamos o carro três faixas pra lá e estacionamos em frente ao Ibis.
Visitamos Colônia (limpíssima) durante a manhã, vimos a famosa Catedral e comemos sanduichinhos com coca-cola ou chocolate quente. Compramos nossas lembrancinhas e pé na estrada em direção a Berlim. Seriam mais de 500 kilômetros, e queríamos chegar cedo na capital Alemã, o que aconteceu por volta de umas cinco da tarde. O Ibis de Berlim não era lá bem localizado, embora fosse limpo e com lençóis branquinhos e fofos como o de Colônia. E eu ali, em plena Alemanha, doida pra comer salsicha branca e tomar cerveja alemã. Mas com medo de sair pelo bairro estranho à noite (sim, estávamos de carro, mas eu não queria confiar na doida do GPS - embora ela nos tivesse levado direitinho a rua do hotel dessa vez - e não sabíamos que endereço inserir). Fomos então ao restaurante italiano na esquina do hotel, e assustamos deveras com os preços. Pratos de 3, 4 ou 5 euros. Cerveja Berliner a 2,50€. Cara, e eu não lembro o que pedi. Eu acho que foi salada... Sim, foi salada que tinha maionese em cima e eu não queria comer. Mas o prato principal eu não lembro. Sei que era alguma coisa italiana e estava boa. E a cerveja era Berliner, e esta estava definitivamente boa.
No dia seguinte saímos para conhecer a tão esperada Berlim. Eu só tinha em mente a frase da Marilisa, dizendo que a cidade era limpa, organizada e bonita. Completamente diferente do meu quarto. Foi engraçado chegar no metrô e não fazer idéia de como comprar os bilhetes. Chegou um bando de italianos - uma família, pra ser honesta - com mãe, pai, tios, filhos e primos, e começamos a conversar em inglês e eles em italiano para ver se conseguíamos comprar. Eu só consegui mesmo comprar quando vi um outro rapaz (acho que francês) comprando, e ele nos ensinou como funcionava.
O bando de italianos ficou meio que nos seguindo, e quando errávamos o caminho eles davam meia volta e nós íamos atrás deles.
A cidade realmente é bonita, limpa e organizada. Olhamos o portão de Brandemburgo, o Tiergarten, uns monumentos da guerra. Pra dizer a verdade, eu esperava mais de Berlim. A comida, porém, ótima. O restaurante dessa vez era alemão e eu provei pela primeira vez a que é - até agora - a melhor cerveja que eu já experimentei: a Erdinger. Eu comi o típico Eisben (joelho de porco) com chucrute (que eu me recuso a escrever em alemão) e mostarda. Ahhh... delícia! O César pediu uma carne tuchada de bacon e a Michelle acho que foi macarrão. A Renata comeu o mesmo que eu...
À noite decidimos que não faríamos mais a Suíça, e sim Praga. As meninas concordaram e no dia seguinte entramos na internet, cancelamos a reserva do hotel de Munique, fizemos a reserva paga do hotel de Praga, pegamos o carro, saímos do hotel e...
- Uai, não tem República Tcheca no GPS... - informou a Michelle.
- Não tem?! Como assim?
Não tem. Ou não tinha. Ou era nosso GPS. E aí, como a gente faz? Coloca a cidade alemã que fica quase na divisa com a República Tcheca e de lá nós seguimos as placas. Sim, só que não era assim tãããão facinho. As placas eram estranhas e de repente mudavam. E que língua é aquela?? Mas que o trechinho que nós pegamos de mão dupla era pitoresco, isso era. Eu fiquei impressionada, olhava pra tudo e ficava repetindo "belo, bela" apontando pras casinhas na beira do lago ao lado da estrada. Pra ir da entrada da cidade até o hotel nós pagamos um táxi. Mas... a cidade é LINDA. Muito bonita, impressionante, charmosa, encantadora, quente, limpa, cheia na medida certa. Apaixonante. Só tenho elogios. O chato é que o hotel era muito quente (preparado para temperaturas bastante baixas) e ainda não é todo lugar que aceita euro. Vamos às comidinhas: chucrute, uma pratada de salada pra todo mundo, arroz, e pratos individuais cheios de criatividade e sabores: bolinhos de pão com molho de frutas vermelhas, filés de frango com molho branco... gostei de tudo, mas a cerveja é tão amarga quanto uma extra brasileira. E o melhor de tudo: a conta da mesa toda (4 pessoas) ficou por 35€. Uma pechincha para um restaurante daquele em pleno ponto turístico e na Europa.
A Ponte Carlos é linda, o Castelo é lindo, a vista do castelo é maravilhosa... Meu, eu vou voltar a Praga algum dia. Valeu muito a pena.
Pra sair da cidade foi uma praga. Rodamos umas duas horas (sem a portuguesa do GPS), só olhando mapas - com aquela língua - coloca Viena no GPS, não aceita. Pega sentido contrário de Viena. Como se fala Viena em tcheco?? Que saco. Duas horas.
E pegamos a estrada pra Munique. Eba, língua alemã de novo na estrada!!! Fiquei tão feliz!
E o melhor: as Autobahns não têm limite de velocidade. Cheguei a 200 km/h, mas logo diminuí para meus freqüentes 170/h. E não tem pedágio...
Munique é uma cidade grande, bonita, limpa e organizada. Mas também me deixou com aquele sentimento de que falta alguma coisa. É claro que se eu tivesse dinheiro eu iria agora em outubro, uma vez que o Tarkan vai se apresentar por lá... Mas Munique é mais charmosa que Berlim. Ficamos mais no Marienplatz, percorremos lojinhas de cafés, chocolates e lembrancinhas. Igrejas... E comi salsicha branca com chucrute e mostarda... Ahhh, que delícia! A cerveja era a Augustiner, muito boa. Nosso hotel era um albergue até bonzinho, mas creio que fora o de Londres eu nunca mais fico em albergue. Em frente ao nosso albergue tinha um barzinho com algumas mesinhas na calçada. Ai, lembrei! Foi no estacionamento desse albergue que minha garrafa de vinho de Creta que eu rodei Paris pra achar caiu no chão e quebrou. O cheiro era tão bom que eu quase fiquei de joelhos pra dar uma lambidinha no chão... Voltando: o barzinho em frente do albergue. Decidimos ir lá à noite pra tomar alguma cervejinha, mas as mesinhas de fora estavam vazias. Hum, que lugarzinho ermo... Resolvemos entrar pra ver se estava melhor lá dentro. Melhor? Tava abarrotado de gente, um baita salão enorme, com mesas retangulares com umas dez pessoas cada. Lotado. Garçonetes vestidas a carater andavam pelas mesas com quatro canecas de meio litro de chope em cada mão. Achamos um cantinho numa mesa ocupada por um grupo de jovens orientais (japoneses?) e três senhores lendo jornal e conversando. Eu tomei duas canecas de Augustiner, e só não tomei mais porque fiquei com medo de ficar bêbada. Outra coisa interessante da Alemanha: meio litro de cerveja custa a mesma coisa que 200 ml de coca-cola ou 300 ml de água. E ainda custa 2,50€ no país todo, o que no resto da Europa sai por 5 ou 6€. Então compensa tomar a cerveja... E é boa demais!
No dia seguinte colocamos o endereço do hotel em Schwangau no GPS e escolhemos o caminho mais rápido para chegar. Só que o caminho mais rápido estava em obras, o que nos obrigou a ir pelo caminho mais curto mas ao mesmo tempo mais demorado: pista de mão dupla com muitos trechos de velocidade máxima de 70 km/h. E vou lhe dizer: eu cheguei a colocar 40 km/h em alguns trechos. Tratava-se da romantik strasse, aquela que a Marilisa mencionou como uma das estradas mais bonitas que já tinha visto. Bonita? Espetacular. Linda. As paisagens mais belas - ou muito comparáveis com as Highglands na Escócia - que eu já vi. Ao longe víamos as montanhas austríacas (sem dúvida) da divisa com a cidadezinha de Fussen. O hotel era delicioso, com paisagens deliciosas, chazinho de frutas e edredons idem.
Na cidade, fomos visitar o Castelo de Neuschwanstein, o famoso Castelo da Cinderela. O danado fica no alto de uma montanha medonha de tão alta, e andamos (subimos) uns quarenta minutos para vermos um pequeno mas ultra charmoso castelo de conto de fadas. A vista lá de cima é espetacular.
Creio que em Schwangau foi o lugar que eu comi melhor: no almoço, foi um pedaço de carne tipo presunto com um ovo mal passado por cima, com salada de batatas. Magnífico, acompanhado de cervejas Paulaner, enquanto a Rê e a Mi comiam salsichas com batatas fritas. No jantar, eu e a Mi optamos por uma macarronada com rúcula e generosos camarões. A Rê comeu uma massa tipo bolinho feita de espinafre com molho branco (delicioso) e o César ficou com filé de frango bastante regado a bacon e outras frescuras mais. No dia seguinte tínhamos uma mesa reservada para nós no café da manhã do hotel: havia um bilhetinho dizendo "reservado para família Oliveira". Que chique!
A tristeza foi pegar o carro na manhã seguinte e partir pra Estrasburgo, deixando pra trás a charmosinha Fussen (vizinha de Schwangau) e passando muito perto de Lindau sem poder visitá-la, bem como o lago Constance.
Em Estrasburgo a doida do GPS nos deixou em um cruzamento em frente ao nosso hotel Ibis, e não fazíamos idéia de como cruzar tudo e entrar no estacionamento. Demos umas voltas irritantes até que conseguimos chegar na frente do hotel.
Estrasburgo é uma cidade francesa na fronteira da Alemanha, e por isso a arquitetura e culinária local são alemãs. Além de Praga, esta foi a cidade que nos impressionou, porque não esperávamos tanto dela. Eu só tinha colocado Estrasburgo no roteiro para quebrar os 800 quilômetros de distância de Schwangau a Paris, e seria apenas para passar a noite. Mas chegamos durante o dia e com certeza foi muito bom. A cidade é linda, cheia de canais e das casinhas alemãs que eu esperava ver em Munique e não vi. O Petite France é um bairro extremamente agradável, cheio de lojinhas, restaurantes, bares, igrejinha, pontes e flores. Nosso almoço foi às três da tarde em um bistrozinho ao lado de um canal. Comemos as tartines, uma das poucas comidas típicas de Estrasburgo, que nada mais são do que pizzas bem fininhas. Nos reservamos ao direito de escolher um restaurante bem charmoso para nosso jantar; outro bistrô também ao lado de um canal, e comemos lazanhas e carnes.
Eu e a Michelle passeamos de barquinho para conhecer mais da cidade, e ficamos ainda mais impressionadas com a beleza dela. Cada ponte é diferente da outra, cores, desenhos, materiais. Toda a cidade é bem cuidada e bem preparada para o turismo.
No dia seguinte nós voltamos ao aeroporto em Paris, já cansados, cheios de falar outras línguas que não o português, doida pra comprar perfumes no duty free... e cheios de lembranças positivas e agradáveis dessa viagem que deixou muitas saudades...
No balanço geral eu diria que gostei mais da Escócia e do sul da Alemanha, lugares que eu voltarei com certeza. Só não voltaria mais a Paris no verão...


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