Monday, July 28, 2008

Desabafo

Hoje é segunda-feira, dia 28 de julho de 2008. Faltam 2 dias apenas para aquela viagem que estamos planejando há quase nove meses, é um bebê esperado com muita ansiedade.
Já definimos o roteiro, já compramos as passagens, já reservamos hotéis. Ainda não arrumei a mala - coisa atípica e estranha demais. Ainda não comprei as moedas - igualmente estranho. Não estou empolgada, não estou feliz, não estou animada. O que me deixa mais triste é saber que o César me viu toda animada há nove meses comprando as passagens e hoje não vê aquela Ingrid esperando o dia D. Me deixa triste vê-lo tentando me alegrar, tentando falar dos lugares que vamos ver e os que vamos rever, as coisinhas que eu iria comprar, os rios, as casas, as pessoas, as comidas. Nada disso me alegra, só me entristece por me lembrar que eu sou nada mais do que uma simples gota nesse oceano de coisas absurdas e injustas que vejo acontecer. E acho injusto da minha parte não demonstrar pra ele e pras minhas irmãs a alegria que é estar com eles em qualquer outro lugar.
O que aconteceu? Simplesmente me achei nesses últimos dois meses. Durante anos eu não soube o que fazer da minha vida ou não me interessava pelo rumo que ela estivesse tomando. Nem mesmo o meu casamento foi resultado de uma certeza infinita: um papel assinado por mim e pelo César não mudou em absolutamente nada do que sentíamos um pelo outro. E se não tivesse acontecido, estaríamos hoje vivendo na mesma casa, cuidando das mesmas cachorras e planejando a mesma viagem.
Meu emprego caiu de paraquedas na minha vida. Sempre soube que seria algo relacionado a aeroporto, mas não sabia necessariamente o que seria. Só tinha uma certeza: não seria comissária de bordo.
Ainda não fiz faculdade: não tenho idéia do que quero estudar com 31 anos. E não sei se daqui a 10 anos saberei. Não tenho pressa, não tenho vontade, não tenho pique e muito menos empolgação.
Sempre achei que a vida iria me levando ao meu futuro sem que eu precisasse mexer nos remos. tudo iria acontecendo gradualmente.
Mas agora parece que isso mudou. Quando vc conhece o seu futuro e gosta dele, quer que ele comece logo. Não estou com paciência de deixar que os outros decidam pela minha vida: eu queria decidir por ela sem pensar nas conseqüências.
Sempre trabalhei o padrão de tudo: na escola eu podia não ser a melhor aluna nem passar perto disso, mas não dava trabalho ao professor. Tentava ao máximo não conversar durante as aulas, tentava não ser rebelde, não fazer baderna, não cabular aula. Notas? Isso era o de menos. Minha função como "boa aluna" eu tentava cumprir fora dos boletins. E razoavelmente eu conseguia. Uma vez que minha mãe ouviu o contrário ao meu respeito eu não admiti. Levei-a para uma reunião de pais e a fiz questionar isso da professora responsável pela minha sala. E senti uma pontada de vingança quando a professora confirmou minhas suspeitas: eu era uma boa aluna no sentido em que eu me esforçava para tal - educada, respeitosa. Não uma boa aluna de notas. Minha mãe voltou pra casa irritada e desconfiada, afinal a monstra Ingrid (nervética, neurótica) não poderia jamais ser uma aluna quieta em sala de aula. Era muito mais plausível a versão do ser humano incapacitado que foi até a papelaria encher a cabeça da minha mãe de asneiras, se é que esse ser humano existiu. Pra mim ou era a própria imaginação dela ou era mesmo um ser de outro mundo.
Dessa forma eu moldei minha personalidade: fraca, mas não idiota. Não falo o que penso, não consigo me indispor com alguém, não falo algo que vai ofender a moral ou mesmo a idéia do indivíduo em questão. O que pode ser agressivo na minha pessoa são meus palavrões, são minhas brincadeiras, algumas idéias e algo dito na imprudência de não avaliar o momento ou seu impacto.
De resto, eu vivo minha vida de forma a aproveitá-la da melhor forma possível, e não de forma a prejudicar a de outrém. A única forma em que eu quero que minha vida interfira na vida de outra pessoa é positiva, agradável e que traga algo de bom e proveitoso. Não quero que minha vida seja um peso para outro, não quero que minhas atitudes revoltem outra pessoa, de modo a atrapalhá-la ou mesmo fazer um sentido negativo.
Sendo assim, como que eu consigo atrair o que é injusto pra mim? Como é possível que eu não possa me apaixonar por outra coisa que é palpável e perfeitamente cabível a mim e à minha vida e não poder aproveitar porque outras pessoas assim não o querem? Desde quando as minhas decisões têm que agradar a um sistema??? Esse mesmo sistema não protege minha vida, esse sistema não dá as mínimas para minha vida e de minha família. Esse sistema não interage, não me dá conselhos, não me ajuda e nem mesmo me dá retornos positivos.
Eu creio que a vida é hoje. O futuro não existe, eu o faço. E quero fazê-lo o melhor possível. Vou lutar por aquilo que creio ser o melhor pra mim e pra minha família, não interessa o que o sistema quer ou ache. Minha vida não é feita de achismos deste ou daquele. O que eu fiz de errado eu assumo e tento corrigir. O que eu não fiz de errado eu não aceito correções e muito menos castigo.
A partir de hoje eu vou tentar fazer aquilo que eu deveria estar fazendo há muito tempo: vou tentar me animar mais com a minha viagem com minha família e quando eu voltar eu vou lutar para ter o futuro que EU quero e mereço ter. E não o futuro que um sistema quer que eu tenha.

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